Fotografar é ver a vida | Júlia Orige

by - quinta-feira, agosto 04, 2016


Minha história com a fotografia tem muito a ver com minha história com a estrada, figurada, claro. Mais nova eu gostava de ser fotografada, ainda gosto, mas não toquei em uma câmera profissional até entrar na faculdade. Uma vez, ainda na escola, eu cogitei gostar de fotografar, mas fui logo interrompida por uma amiga “tu não sabe tirar foto”. Não insisti, acreditei nela. Tenho esse problema, acredito no que me dizem, principalmente se for ruim.

A minha vida tem muito de avião, mas houve momentos estáticos. Em um dos mais longos, entrei na faculdade, Jornalismo, UFSC. A primeira fase do curso é muito prática, te colocam na rua para apurar, filmar, gravar e fotografar. Assim, de cara. Na primeira aula de fotojornalismo eu lembro do professor perguntar “quem aqui já mexeu em uma câmera profissional?”. Meu pai tinha uma semi, mas toda automática e eu não tinha brincado muito com ela. Aquela aula, a primeira, foi a única em que eu consegui ficar acordada 100% do tempo. Nas outras, por mais interessante que fosse o assunto, o tom de voz não me deixava acordar.

Foto por Júlia Orige

As saídas de campo da aula de foto funcionavam assim: você tinha um certo número de cliques (uns 20) e não poderia apagar nenhuma foto. Quase como se ainda estivéssemos no tempo dos filmes. Eu não pude realmente brincar, afinal, eram só vinte cliques. Mas naqueles vinte eu me apaixonei. Foi uma paixão meio proibida, eu e a câmera só podíamos nos ver nas aulas, por um tempo limitado. Acabou o semestre, eu rodei na disciplina de fotojornalismo e ganhei uma câmera.

Eu tranquei a faculdade no segundo semestre para viajar. Minha mãe foi fazer uma parte do doutorado dela em Portugal e eu fui junto. Aliás, minha tia também foi, mas ela ficou menos tempo, dois meses. Eu e minha mãe ficamos quatro.
Foto por Júlia Orige



Foi nesses quatro meses que eu pude me dedicar por inteiro ao meu romance com minha câmera e me apaixonei não só por ela, mas também pelo que eu fotografei. Foi através da sua lente que eu vi as coisas mais bonitas, que mexeram comigo.  

Naquelas aulas eu aprendi sobre os botões da câmera. Na estrada eu aprendi que não basta clicar, você tem que olhar. Eu coloquei meu mundo na minha câmera. Eu registro exatamente o que eu vejo, como eu vejo. O que eu amo.

Eu ainda tenho muito o que treinar, o que aprender. Mas acho que não é coisa que se aprenda em aula, tem de ser de mim mesma. Eu posso ler num livro sobre luz e sombra, mas ninguém pode me ensinar como ver o mundo. É bom ver que minha fotografia evoluiu muito. Eu espero que continue assim, espero poder continuar a treinar.

Eu gosto de fazer ensaios, retratos. Mas o meu coração está na rua. Eu quero fotografar a vida. Viajar me ensinou a fotografar, porque é viajando que se vê a vida









Júlia Orige, 19 anos, estudante de comunicação, viajante incansável e autora do blog: www.lisboanapontadospes.com

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3 comentários

  1. Lindas fotos!
    É isso aí, a máquina é só o veículo!
    Beijos e que continue evoluindo

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  2. as fotos do post estão lindas *_*

    também sou muito apaixonada por fotografia, quero fazer jornalismo por causa disso e também sonho em ganhar uma câmera profissional :)

    ah, a sua história é muito legal! continua que você consegue tudo que quiser :D

    beijos.

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  3. Você escreveu sobre as minhas duas maiores paixões: viajar e fotografar. Não tem nada melhor que isso! Voltei ontem de viagem e foquei em fotografar só coisas que amei e fiz isso de "o clique tem que sair certo"

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